quinta-feira, 14 de setembro de 2017

pranto

chora o céu de setembro
pelos trabalhadores desempregados
pelo massacre dos porongos 
há tanto tempo comemorado
pelos índios exterminados 
por atrapalhar o agronegócio
por todo o lixo depositado
embaixo dos tapetes de luxo

chora o céu de setembro 
pelos moradores de rua 
pelo poeta abandonado 
que morreu nos braços da chuva 
pela devastação da amazônia 
pela censura à manifestação artística
pela fome que voltará ao subúrbio
por todo ódio que interrompe a vida

chora, oh céu de setembro

terça-feira, 12 de setembro de 2017

doses homeopáticas

eu vi um bicho
sair do lixo
lendo Manuel Bandeira
e conheci um sonhador
que utilizava a própria dor
pra tecer poemas
eu ouvi um caboclo
com fama de louco
dizer genialidades
e ajudei um poeta
a sair da gaveta
pra curar sua enfermidade

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

além da curva do vento

um passo
além da curva do vento
nostalgia
sentimento
que transborda nesse adeus

sentirão os meus filhos
mais do que eu

levarão relatos
recortes
retratos
de uma natureza farta
que canta e brota

e sem querer 
aperta os nossos corações

um passo
além da curva do vento
e o mundo não será
mais o mesmo

e nem mesmo nós seremos
graças ao tempo

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

segunda-feira, 17 de julho de 2017

o frio

o frio que corta a carne
e expõe as vísceras

é o mesmo de quando tu te vais
e não me dá notícias

segunda-feira, 10 de julho de 2017

leitor analógico

incrédulo
relapso
mergulhou num rio vasto
e o acaso
encheu sua boca de peixes
dos seus olhos
saíram feixes de luz
e o coração
quase não coube no peito

quarta-feira, 5 de julho de 2017

jazz

dirtorço-me pra ouvir teu jazz
e sentir tua voz
fechar a minha garganta
(refaço-me)
como quem repete um mantra
interrompendo toda e qualquer conexão
só pra sintonizar
na tua onda