quarta-feira, 26 de abril de 2017

à deriva

enquanto aporto
em teus poemas tortos
em busca de alguma ilusão

costuro pele com fogo
retiro farpas do estômago
desenho portas em escombros

sufoco a retidão

quarta-feira, 29 de março de 2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

um sopro

respire
imunize-se
alimente-se
hidrate-se
conecte-se
eduque-se
socialize-se
intoxique-se
manifeste-se
relacione-se
embriague-se
consuma-se
remedie-se
expire

sexta-feira, 17 de março de 2017

mundo moinho

molestam mulheres 
massacram mendigos
margeiam melindres 
malevos medíocres
mascaram mesmices 
martelam mentiras 
mapeiam mesquitas
menstruam morteiros 
manipulam milícias 
mastigam mercados
menosprezam multidões 
matadores multimilionários 
midiotizam a massa
monopolizam os meios 
marginalizam os mitos 
mercantilizam o medo

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

vulto

meu nome é vulto
ando sem ser percebido
escrevo em paredes
apedrejo vidraças
emito sinais de fumaça aos vivos
arrasto correntes
bato de frente com rótulos
e poderosos que arrotam mentiras
do alto de seus cascos edificados
com mão de obra escravizada
na imensa roda da vida

meu nome é vulto
vulgo cidadão que paga imposto
a contragosto
onde todo mês é de cachorro louco
e o todo que me é furtado
me deixa assim pelas beiras
em trincheiras que eu mesmo cavo
rodeado de amigos
que nunca deram um tiro
mesmo estando com a arma
e o coração na mão

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

vai e vem

um rio de lâminas
corre agora nas tuas entranhas
nuvens de estanho
sobrevoam o teu entorno
estranho...

ainda há pouco
conversávamos sobre a alegria
que te fez levitar

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

queda livre

quando a saudade
alcançar o maior pico
e o coração souber
que não é passageiro
a gravidade incidirá
sobre o empírico
e o que era plano
voltará a ser abismo