segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ouro de tolo

o amor não cabe na internet
a revolução não virá numa #hashtag
todos os likes do cyber mundo
não irão salvar o mundo
siga o seu instinto
curta os seus amigos
comente com quem estiver presente
e compartilhe amor olho no olho

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

rua chile

uma televisão vinte polegadas
jogada na calçada
a moto cento e vinte e cinco cilindradas
com tanque de pet de coca-cola
uma imagem do papa em Melo
uma bola número cinco furada
um cachorro viralatas pulguento

o vento trouxe o choro da criança
e a ternura da mãe castelhana
que cantarolava
enquanto lhe dava o peito

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

dois mil e dezesseis

com as mãos amarradas
e a voz diminuída
com o corpo doído
por angústias doentias
ter a paz alvejada
e os direitos na mira
não saber dos horrores
que te esperam na esquina
proliferam os senhores
e os seus parasitas 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

mergulho

transito 
pela orla do teu íntimo
num ritmo 
que transcende o entendimento
navego 
pelas águas do teu leito
e o meu peito 
não segura o que há por dentro
mergulho 
no fundo de um plano lúdico
impudico 
não prendo a respiração
e então 
eu me afogo no teu gozo
e morro 
em alguma margem do teu corpo

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

espelho d'água

por trás de cada poema
profundo e límpido
onde a fundura preserva
a superfície, o contato
existe um poeta
um escafandrista lírico
dos que usam perder o fôlego
para não prender o tato

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

longe

eu tenho um tempo
que não pode ser medido
um horizonte
que tem me fotografado
guardo um silêncio
na estante
junto com os livros

eu moro longe...

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

temporal

é preciso estar atento
com o vento que sopra descomprometido
e também ser precavido
com o calor que mata fora do tempo
é atento ser preciso
quando o granizo se faz (chuva de pedra)
e faz girar a moeda
que norteia o teu destino

segunda-feira, 11 de julho de 2016

errante

venho de ver
outro horizonte
onde o tempo é indiferente
a sensação de simplesmente
estar ou permanecer
venho de ter
olhos distantes
pois o amor é tão urgente
quanto a fome é inquietante
na angústia de viver

venho pra ser
mais um errante

sexta-feira, 17 de junho de 2016

em transe

chega de correr
de não saber porque andar
embriagar e entorpecer
de se vender pra respirar
acreditar que é bom perder
e que sofrer vem de lutar
porque pior é não saber
e não mudar 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

gelo

o frio que corta a carne
e expõe as vísceras
assemelha-se ao vazio
de quando tu te vais
e não me dá notícias

segunda-feira, 6 de junho de 2016

intro

dedique um pouco mais de tempo
pra responder os questionamentos
de uma criança
não deixe de ouvir o próximo
de olhar no olho
de sorrir sem pressa
de tocar o outro
com aquilo que tu tens de melhor
dedique um pouco mais de tempo
pra conhecer a ti mesmo
e não espere que o mundo
por algum momento
gire ao teu redor

quinta-feira, 19 de maio de 2016

#poesiapelademocracia

aos bacharéis da ignorância
acumulada nas instâncias
superiores ao próprio ego
aos marajás da mesma aldeia
que se orgulham por matar
de fome a vontade alheia
aos herdeiros do que não tem dono
beneficiários e coautores
de crimes contra o próprio meio

vocês não perdem por esperar
a poesia está nas ruas

sexta-feira, 6 de maio de 2016

ensaio para ser só

o peso das horas
o frio que penetra
por baixo da porta
a cara do outono
o vento que arrasta
as folhas e os pontos.. .
o corpo acamado
a cabeça no fundo
de um plano fechado

e o mundo egoísta... girando

segunda-feira, 2 de maio de 2016

revés

gritos ecoam 
na praça com nome de coronel
martelos e foices certeiras
lavam de sangue e honra
a luta por um dia melhor
cabeças de mulas rolando
gravatas de seda enforcando
no galho do último pau brasil
trincheiras no sete de abril
e comércio de escravos políticos
no largo do mercado central

quarta-feira, 27 de abril de 2016

termômetro

debaixo das cobertas
teu corpo de pedra
procura às cegas
uma fonte de calor
debaixo deste mesmo teto
de sonhos complexos
ferro e concreto
o frio condutor 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

desencanto

enquanto chove
sua vida escorre
pelo espelho
os erros embaçam
maus pensamentos
e torna-los acertos
não será nada fácil

a solidão às vezes
grita nos ouvidos
e o silêncio bate à porta
à procura de abrigo
onde o vento não ecoa
o passado não perdoa
e o futuro é um castigo 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

é tarde

de onde vem essa voz?
pra guiar meus passos
e questionar acertos
dentro de um jogo comprado

o futuro está imposto
nas páginas de um livro
escrito por um louco, morto
por levar risco a sociedade

flashes de liberdade
ganham o céu, o mar, o espaço
pois debaixo do que é imposto
poucos podem ver as grades

de onde vem essa voz?
pra me dizer que é tarde

terça-feira, 8 de março de 2016

mulher

flores mortas
não dizem nada
presentes, inutensílios
nessa hora 
são tiros pela culatra 
um dia apenas 
pra centenas de outros 
de agressão, humilhação 
e propriedade 
não
eu vim aqui pedir desculpas
pela minha parte 
e dizer que sinto e muito 
pelas atrocidades
que covardes cometem
todos os dias 
e pras mulheres da minha vida 
dizer que estamos juntos
nessa luta

sobre a cegueira

a classe mérdia quer consumir
mas tá endividada 
deu na TV
já os poderosos temem perder
suas regalias
para ralé
chama a polícia 
mata o ladrão
leva esse pobre 
no camburão

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

homônimos

eu uso o mesmo nome
de outros tantos 
que assinam por extenso 
em documentos
pra dizer o que não pensam 
por aí

eu uso o mesmo nome 
de outros santos 
que apertam baseados 
pelos cantos 
e assumem personagens 
pra viver

eu uso o mesmo nome
de outros tantos 
que navegam pelos mares 
e oceanos 
na angústia de ter sempre
que chegar

eu uso o mesmo nome
apenas
este maldito nome

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

teu verso

teu verso não usa disfarce
pra exalar veneno

embora sua profundidade
recomende máscara de oxigênio

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

reconsiderações

a poesia é um copo d'água
com dois terços de morfina
a rotina é o pó da estrada
sobre o olho que enferruja
roupa suja virou moda
no varal da hipocrisia
todavia a pior droga
é o amor que condiciona

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

solitude

a solidão é uma rua
sem janelas ou portas de entrada
sem pessoas vagando pelas calçadas
sem saída pra quem trafega na contramão

a solidão é um poema
que sufoca na primeira leitura
que aperta quando acerta na altura
e permanece quando se vira a página

a solidão é um porto
repleto de navios abandonados
é um silêncio que não pode ser tocado
um grito que ninguém mais ouve

terça-feira, 5 de janeiro de 2016