domingo, 28 de março de 2010

Mais Distante


Distanciam-se os dias, aquele beijo, aquele verão,
O horizonte fica a cada dia mais impossível.


Meus olhos estão cheios de poeira,
Não param de sonhar lacrimejando.


Não me escondo do medo, nem da solidão,
Escuto um velho disco de vinil arranhado,
O lado B é interminável.


Tocando aquela música feita sob medida para nós dois.

sábado, 20 de março de 2010

Sutil


No beijo, a inocência,
No olhar, tua vontade.
Num pequeno gesto, a tua cara.

No quadro negro, o nosso amor...

Na sutileza, o detalhe,
Na insensatez, o meu espelho.
Num quarto de hotel, nossas almas entrelaçadas,

Na palavra, o teu dom...

No abraço, o teu frio quente,
No cheiro, teu perfume de flor.
Num sonho, a eternidade distante.

No último instante, um sorriso sem graça,
Um breve adeus...


segunda-feira, 15 de março de 2010

Resplandecente


Resplandece o teu sorriso,
Tantas noites sem um dia.
Já não sei o que eu sabia,
Nem esqueço o que é preciso.


Nos sonhos a lembrança derradeira,
Dos lugares impossíveis.
Sentimentos incompatíveis,
E mentiras verdadeiras.


Outra chance no outro lado da rua,
De sentir aquele frio quente.
Esquecer o que você não sente,
Relembrar a minha vontade tua.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Paredes Siderais


Aparece sem querer,
Desperta a minha atenção,
Faz de mim o que bem quer,
Dona da situação.


Aprisiona o meu amor,
Leva-me pra lua,
Cama redonda, disco voador,
Quatro paredes siderais e você nua.


Adormece enquanto sonho acordado,
A vida lá fora deve ter continuado,
Aqui no espaço, esqueço das horas.


Nem penso em ir embora,
Corpos sem gravidade, corações apaixonados,
O mundo pode até acabar agora!

Memória Preto e Branco


Fotografias três por quatro,
Minha memória em preto e branco.
O bule de café e sua tristeza,
Algumas flores mal amadas.


Lá fora, uma elegante garoa insistente,

Cortinas de fumaça na janela da sala,

Candelabros solitários espalhados pela casa.


Livro de histórias empoeiradas, empoeirados...



quarta-feira, 3 de março de 2010

Não Sou Eu


Longo fim do dia,
Pôr do sol em meio às nuvens.
Ando a procurar algo que ainda não sei,
Sem entender as coisas que não têm explicação.

Será que a noite desistiu de mim?
As ruas se tornaram o meu deserto.
Eu caminho sedento por respostas,
Sem estrelas, sem um norte sequer.

Carrego nos ombros a minha inquietação,
Encontro um espelho em cada esquina.
Que refletem o meu desencanto,
Com o mundo, com esse cara que eu não sou.