segunda-feira, 12 de junho de 2017

quinta-feira, 8 de junho de 2017

cuidado, frágil

saudade do azul
do vento que sopra 
desde o sul
cortando os teus lábios
do frio que embesta
a cruzar pelas frestas
do teu blusão de lã
daquelas manhãs
vermelhas maçãs
que coravam o teu rosto

segunda-feira, 5 de junho de 2017

charqueadoces

não se pode comer asfalto
beber água do são gonçalo
ou tomar banho no laranjal
não se pode subir ao palco do teatro
pegar o ônibus sem ser assaltado
ou acampar no camping municipal 
não se pode comparecer aos atos
e ter os direitos assegurados
sem que te cortem o ponto
por insubordinação

"seja doce com pelotas"
com seus governantes, não

quarta-feira, 31 de maio de 2017

vácuo

prendeu o fôlego 
para não prender o tato 
para absorver o impacto 
do projétil 
que atravessou seu peito
no lado direito 
onde definitivamente 
não há coração

quinta-feira, 25 de maio de 2017

microclima

previsão de chuva 
no céu da boca 
a umidade no jardim 
de suas coxas
atingiu o pico 
de duas montanhas
arrepiando a vegetação 
da mata tântrica 
revirando a cama 
para a semeadura

quarta-feira, 17 de maio de 2017

quarta-feira, 3 de maio de 2017

romance

num recorte de memória 
pendurado no meu peito

corre um rio de dor e lágrimas 

um rascunho de mil páginas 
sobre um amor rarefeito 

terça-feira, 2 de maio de 2017

manifesto

ofereceu um tijolo ao vidro
dedicou à parede um grito
percebeu que não estava perdido
quando foi arrastado prum camburão

espancado com as mãos amarradas
processado pelas forças armadas
condenado pelas santas beatas
que não sabem o que é revolução

"esses vândalos"

quarta-feira, 26 de abril de 2017

à deriva

enquanto aporto
em teus poemas tortos
em busca de alguma ilusão

costuro pele com fogo
retiro farpas do estômago
desenho portas em escombros

sufoco a retidão

quarta-feira, 29 de março de 2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

um sopro

respire
imunize-se
alimente-se
hidrate-se
conecte-se
eduque-se
socialize-se
intoxique-se
manifeste-se
relacione-se
embriague-se
consuma-se
remedie-se
expire

sexta-feira, 17 de março de 2017

mundo moinho

molestam mulheres 
massacram mendigos
margeiam melindres 
malevos medíocres
mascaram mesmices 
martelam mentiras 
mapeiam mesquitas
menstruam morteiros 
manipulam milícias 
mastigam mercados
menosprezam multidões 
matadores multimilionários 
midiotizam a massa
monopolizam os meios 
marginalizam os mitos 
mercantilizam o medo

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

vulto

meu nome é vulto
ando sem ser percebido
escrevo em paredes
apedrejo vidraças
emito sinais de fumaça aos vivos
arrasto correntes
bato de frente com rótulos
e poderosos que arrotam mentiras
do alto de seus cascos edificados
com mão de obra escravizada
na imensa roda da vida

meu nome é vulto
vulgo cidadão que paga imposto
a contragosto
onde todo mês é de cachorro louco
e o todo que me é furtado
me deixa assim pelas beiras
em trincheiras que eu mesmo cavo
rodeado de amigos
que nunca deram um tiro
mesmo estando com a arma
e o coração na mão

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

vai e vem

um rio de lâminas
corre agora nas tuas entranhas
nuvens de estanho
sobrevoam o teu entorno
estranho...

ainda há pouco
conversávamos sobre a alegria
que te fez levitar

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

queda livre

quando a saudade
alcançar o maior pico
e o coração souber
que não é passageiro
a gravidade incidirá
sobre o empírico
e o que era plano
voltará a ser abismo

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

contradições

ele usa penas
de urubu no carnaval
compartilha fotos
de filhotes pra adoção
ele faz ioga
produz livro artesanal
destila veneno
num perfil que inventou
ele acredita
em presente de natal
diz sentir inveja
do vizinho que morreu
ele põe moedas
sob um buda do nepal
e escreve poemas
pra um amor que o deixou

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

inspiração

no lado de cá
no fundo de um buraco
com vista pro céu
ouço o som das asas de um beija-flor
que ainda acredita em voar

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017